segunda-feira, 2 de julho de 2012

2012: CENTENÁRIO DO REI DO BAIÃO


DE PAI PARA FILHO: Desde 1912...
                                                         F. J. Hora
Numa sexta-feira treze,
Vejam só que ironia
Exatamente naquele dia
Pernambuco foi premiado,
Na divisa do estado
No sertão, céu lindo e azul,
Na fazenda Caiçara
No sopé da Serra do Araripe
No município de Exu.

“Nasceu, e é menino macho”
Vejam os documentos dele:
Luiz por ser de Santa Luzia
Gonzaga porque o padre disse
E Nascimento por Jesus Cristo
Esse era seu nome de pia!

Januário, pai de nove irmãos
Tocando e consertando
Depois da roça, o acordeão,
“Oito baixos” respeitado
Em festa tradicional.
Luiz, aos oito de idade
Na falta do “principal”
Tocou e cantou a noite inteira
Sendo essa a primeira
De uma missão especial.

A convites de amigos do pai
Animou festas e sambas...
Luiz de Januário, “Lula”,
Luiz Gonzaga, antes dos dezesseis,
Foi se tornando o melhor
Da sua redondeza
Cana Brava, Viração, Rancharia, Bodocó...!

Em vinte e nove, já escoteiro
O “neguinho afiotado”
Não era mais menino
Viu-se já apaixonado
Por Nazarena, da região
Filha do Coronel Deolindo...

“Tocador de meia-tigela”
Em reprovação disse o pai dela
E Santana, mãe de Luiz, por desgosto
Deu-lhe uma surra e, no outro dia
Ele foge para Crato
Sem dar notícia à família.

Dezoito anos incompletos
Entra nas forças da Revolução
O soldado “Gonzaga”, corneteiro
Ganhou fama no Exército Brasileiro
E assim seguiu seu passo
Em missão para Belém e outros estados
Com o apelido de “Bico de aço”.

Nove anos depois, por aventura
Dá baixa no Exército
E em São Paulo a sanfona branca
Dá início à sua carreira
E na beira do caz, dos estrangeiros
Inspirado no Rio de Janeiro
Foi um calouro de primeira.

Em 1946, explodiu sua carreira
Em disparada com Humberto Teixeira
Domingos Ambrósio e outros parceiros
Relembrando seu pé de serra
E cheio de cartaz voltou à sua terra
Num reencontro emocionado
Tocou baião, xote e xaxado
E sua música “Dança Mariquinha”;
Registrou também o filho de Odaléia
Seu eterno varão Gonzaguinha.


Já no auge do reinado
No Grande Oriente do Brasil
Foi Paranapuan, da acácia amarela
Flor linda e tão bela
Símbolo da Grande Iniciação
E é por isso que até hoje
Ainda é Rei do Baião.

E assim, de pai para filho
Com a música veio a união
E a fortuna de sua realeza
Que ao destino não engana,
Foi no Hospital Santa Joana
Que debilitado, mas devoto
Com pneumonia e fraco dos ossos
Luiz disse adeus...!

Um adeus forte e cantado
Como um aboio saudoso
Lula, Luiz Gonzaga, Gonzagão
Ser artista do Nordeste foi seu sonho
Desde 1912 inaugurado
Mais do que um nordestino, coroado
Luiz, Rei do Sertão!

domingo, 24 de junho de 2012

ANJO DA LUA


ANJO DA LUA
                                      F. J. Hora

Angelical, nada mais que isso
A menina tão doce e espirituosa,
Linda, cheia de vida, misteriosa
E, só por isso o seu encanto
Vem para mim como um acalanto
Ou outra poesia ardente e cheirosa.

Anjo da lua, não tenho outro nome,
Pois, despertou em mim a paixão
Com seu brilho que à noite irradia
Não a esqueço um só dia
Sei que é uma quimera, ilusão!

Não me canso de contemplá-la
Seu olhar é para mim a fruição
De um poema que não pude recitar
Tão perfeito, tão sereno e sincero,
É um diálogo simples que quero
Mas, ela tem muito mais a revelar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Busca do Eu


CANTO I
Em busca do eu

O corpo em mim deseja
Mas, o espírito está frustrado
E assim olho para o meu estado
E vejo o que em mim sobeja,
É um sentimento desumano
Uma busca intensa, precaução
Enquanto o corpo vive a ilusão
O espírito cai logo em desengano.

Tão perplexo fico e com medo
De mergulhar no desconhecido
Um mundo aparente escondido
Obscuro e cheio de segredo,
São os problemas da alma
Mas, ainda quem me acalma
É ver a luz do dia logo cedo

Porque vejo a vida renascer
Um novo dia ali surgir
E o que me dá mais prazer
É com a natureza interagir.

Um súbito desejo sai da carne
Pela carne que ardente vejo
Tão intenso querendo devorar
E o espírito então, no ensejo,
Sente a essência palpitar
Pelo olhar, pelo jeito,
Que venha a lhe completar
E logo a ilusão carnal
Cai por terra sem satisfação
Desejando tão grande emoção
Da força viril e animal.

Logo eu que tanto prezo
O amor verdadeiro, único,
Para todo o sempre, eterno,
Sinto-me invadir a paixão natural
E os sonhos de uma vida
Parecerem coisa anormal
Sem sentido o mundo meu
Vejo o destino fatal
Da busca eterna pelo eu

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

7 de Setembro

PÁTRIA AMADA

O orgulho que nos dá a pátria

É o mesmo que expressou a vontade

De um povo que hoje é feliz

Por causa de uma antiga liberdade,


Liberdade de ser brasileiro

De ser dono do seu país,

Com o símbolo verdadeiro

Verde, amarelo, azul anil,

A cara e alma do nosso Brasil.


Mas, a nova liberdade,

O fim das modernas paixões,

Como os vícios da bela idade

Mostra que temos uma luta

Contra as drogas e as prisões

Para que da pátria amada cada membro

Possa, de cabeça erguida,

Marchar o 7 de Setembro!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poesia do Jovem Moderno

Poesia do Jovem Moderno

Venham ver o que muitos queriam fazer;
Gritar pelas ruas, transcender
Como uma perua desvairada
Que dorme na parada
Entrega-se ao momento
E esquece-se da estrada.

Já o medo da vida social
Do chique a padecer
Da vontade de dar o corpo
De entregar-se ao prazer.
Quantos sonhos de consumo
Os homens procuram ter
E vivem assim sem rumo?

Consumismo, contas a pagar, SPC,
Talvez, um bom emprego
Seja a fonte de realização
Para quem não tem o que fazer
Que pela vontade de beber
Entrega-se à depravação
E não teme se morrer.

Jovens que se iludem
Na vida que todos querem
Mas, que no fim não aderem
O corpo perdeu a graça
Já não tem mais aquela massa
A idade devastou
E a pelanca que restou
Um romântico, idealista
Foi quem reaproveitou.

Prostitutas, assim sejam
E só os donzelos é que reclamam
Pois, se ninguém os amam
A injustiça é procurar migalhas.
Raparigas, rodadas,
Por muitos possuídas
E até mesmo o virgem
Que a trata como moça
Se depara com a desilusão
No fim quando muitos a comeu
Esse otário se rendeu
E com ela faz união.

No viço e no vigor,
Dá a todos, se exalta
Enxerga todos lá da alta
E rebaixa os que esperam seu sim
E quando sua beleza chega ao fim
Recorrem aos idiotas
Que perdem tudo o que conquistou
Para sustentar quem ele adotou
Como mulher em sua vida.

Por isso que no auge se exaltam
Enquanto por muitos é desejada
Porém, na hora marcada
Da idade, da decadência
Se aquecem na ciência
E comportam-se com os otários
Com quem antes fazia chacota
E sórdidos comentários.

sábado, 27 de novembro de 2010

Flávio Hora: Um Homem Apaixonado (Carta II)

Carta II

Esquecido no mundo...
Tão severo e cheio de caminhos...
Uma busca se fez e uma esperança
Da qual será enfeitado minha estrada,
Dos sonhos todos que tive
Já não lembro de mais nada...

Pergunto a mim mesmo:
De onde vem tanta paixão...
Essa que me arrebata
Entre os meus ideais
Como uma ciência exata
Onde o barulho é a fonte
Da solidão que mata...!?

Olho para fora de mim
E vejo que lá dentro
Se espelha, e eu sinto
Desse tempo uma falta
De amor, ah minto....
Olho pro céu e lembro...

Mas, de tudo o que pressinto
No meu mundo desenganado
É que tudo o que creio
Seja, por receio...
Sem pudor duvidado
E antes que eu me encontre
Faça-me a vida um sorteio...!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Flávio Hora: Um Homem Apaixonado

Carta I

Quantos versos esquecidos
Escrevi e nem mesmo eu pude ler...
A musa estava dormindo,
A pena já não sentia prazer
O papel aos poucos sumindo
Amarrotado do meu sofrer.

No mundo das minhas andanças
De tudo aquilo que passou
Hoje, só resta lembranças
Mitos, boatos e saudades
Romances raros e esperanças
Na solidão dos meus anos
Onde só tenho perplexidades
E tristes desenganos.

E a paixão natural,
Fonte que brota do meu ser,
Cuida em me manter aceso
Em me dar esse prazer
Contemplar tudo que é belo
Admirar sorrisos
Colecionar olhares
E construir o meu castelo...

E assim,
Tão apaixonado como agora
Vivo a sonhar com meu mundo
Diferente de outrora
Com um sentimento profundo
Que o tempo revigora:
O desejo fecundo...!